terça-feira, 21 de março de 2017

Resenha: Os MIseraveis (Les Miserables)




Eu já tinha assistido a adaptação dessa obra, do romancista francês Victor Hugo, que foi pro cinema como musical em 2012. Gostei muito, mas confesso que não entendi a proposta original da obra apenas assistindo ela, por isso peguei emprestado Les Miserables na biblioteca da minha escola.
Eu tinha vários motivos para querer muito ler esse livro, além de já ter o assistido, Victor Hugo foi o autor do primeiro livro que eu li e gostei [O Corcunda de Notre-Dame]. Esse autor tem duas características mágicas para mim. A primeira é que ele me faz ter interesse pelo romantismo (movimento literário que eu odeio), e também o jeito como ele escreve sobre a França, me faz querer viver lá para sempre.
No caso de Os Miseráveis, a história se passa em Paris e seus arredores.E assim como Toda Luz que não podemos ver (resenha aqui), conta pontos de vistas diferentes ao decorrer da obra. Os bons escritores têm essa característica, de conseguir descrever a mesma história sobre pontos de vista diferentes, e fazer o leitor ver algo novo em cada um deles.
Não quero me prender muito ao enredo nessa resenha, mas sim no que o livro me fez pensar. É comum olharmos somente o lado bonito da história, sem levar em conta suas origens, nem suas causas (por isso que não gosto do romantismo). Mas, Victor Hugo me fez mais uma vez ver que todas as conquistas de alguém, de algum país, sociedade ou pessoas é movido pelo interesse em duas coisas: dinheiro e reconhecimento. Esse caminho que os personagens do livro traçaram, foram em sua maioria, com passos que destruíram outras pessoas.
Então, o autor montou um personagem que tinha tudo para seguir seu caminho pisando em outras pessoas, e o desconstruiu em certo ponto da história. Jean Valjean era um homem miserável, pobre e destemido a levar um vida de ``vingança`` pela sua situação, culpando a todos por ele ser assim, e ter passado por tanto sofrimento. Em certo ponto, ele tem razão, e esse é o argumento que muito usam nos tempos atuais. Você não pode culpar um adolescente por roubar, porque você não deu educação a ele. É um pensamento válido. Porém ao invés de criar um justiceiro social, que terminaria sua vida com um cargo de crimes nas costas, Victor Hugo mudou o cenário da história.
Em certo ponto, Jean cruza com um padre, que tem uma índole muito diferente do que ele estava acostumado. Jean era um ex-condenado fugitivo, e por isso era marginalizado pela sociedade, porém esse padre o ajudou com prazer quando ele precisou, talvez por ele ser padre, mas mais possivelmente, porque ele tinha um coração disposto a ajudar, diferente de todos ali. E aquele homem mudou a vida de Jean, o transformou e acabou revertendo essa situação de vítima. A partir daí a história se segue, e Jean que tinha tudo pra ser um destruidor de vidas, acaba ajudando muito.
Em suma, Victor Hugo refletiu em sua obra, uma opinião que eu defendo: Você pode até nascer e crescer sendo vítima da sociedade, mas quem decide continuar nessa posição, é você.

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